quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Megaupload: Mais um pouco disso e daquilo

A vida pode ser dividida em duas partes, antes e depois do Megaupload. Claro, antes a vida poderia ser dividida em antes e depois do Gnutella, antes e depois do Napster, antes e depois do Kazaa, antes e depois, antes e depois. E o agora?



O final do Megaupload representa mais um baque dentro do mundo de quem defende a livre circulação de arquivos. Essa parece uma história que se repete, mas talvez essa seja uma história que começa a ser rascunhada nas diferentes ideias de SOPA, PIPA, ACTA e Azeredo. As leis atuais pregam o bom senso e a justiça, mas quando isso vem de frente com interesses o martelo do juiz bate diferente. Mesmo que essas leis não sejam agora aprovadas, o caminho que vemos hoje é o de algum tipo de censura para proteção de interesses. Após o impacto do SOPA/PIPA veio o ACTA, depois dele a funcionalidade implementada no Twitter para filtragem de termos, a lei Azeredo que a todo momento paira sobre a cabeça dos brasileiros. Até então, não tínhamos enfrentado tantos disparos ao mesmo tempo, e uma das balas resvalou no Megaupload.


A prisão de .COM (Kim Dotcom) foi muito além das contravenções sobre direitos autorais, tão combatidas pela indústria do entretenimento. Foram amplamente divulgadas suas excentricidades, sua mansão, seus carros, suas modelos. Colocando-o como um Al Capone moderno, onde Chicago não é mais parte dos seus limites geográficos e sim toda uma rede invisível de computadores que se interliga com o mundo. A todo momento o nome dos responsáveis pelo serviço foram associados com hackers (ou piratas) e ataques à sites.

Sim, ele fez fortuna usando material alheio. Dizem que os seus lucros em poucos anos de atividade chegaram à $180.000.000. Mas pensando de uma forma prática, culpar nesse momento quem recebe e armazena arquivos de seus usuários é o mesmo que responsabilizar os bancos pelos dólares depositados proveniente de ditadores genocidas. O Megaupload é usado por seus assinantes para armazenar conteúdo  protegido por copyright, assim como também é usado para material legal. Armazenar arquivos na nuvem é uma tendência, o cloud computing é amplamente usado inclusive por grandes empresas. Tanto no Megaupload, quanto nos bancos não existe um filtro para decidir qual conteúdo é qual. É por isso que ele está sendo acusado?

A minha comparação com Al Capone não é do nada. Al Capone tinha, literalmente, toda a estrutura da cidade de Chicago em sua folha de pagamento. Dessa forma, ficava praticamente impossível acusá-lo de crimes que só poderiam ser comprovados (investigados e julgados) na própria cidade. Na época, o FBI então promoveu uma investigação sobre as contas de Al Capone, terminando assim com a prisão do mesmo sob penas federais de sonegação fiscal, muitos anos foram adicionados para garantir que pagaria por todos os seus crimes, e dessa vez não com dinheiro.

Voltando ao nosso tempo, pirataria é ilegal, porém ainda não tem como configurar um crime para ela. Existem inúmeras tentativas, mas judicialmente todas podem ser refutadas, dependendo de quanto ganha seu advogado. Acusar .COM de lavagem de diheiro foi a única forma de prendê-lo e acabar com seu império. Sua pena, será maior do que a de muitos assassinos. Não que ele seja um, mas agora servirá como exemplo para aqueles que seguem seus passos. Esse ato de terror teve seu efeito, praticamente todas as empresas similares ao Megaupload, cito o Fileserver, FileSonic, por iniciativa própria começaram a apagar seus arquivos e muitas a desativar seus serviços. Afinal, ninguém quer ir parar na cadeia. E é melhor ficar com alguns milhões na conta e partir para novas oportunidades do que perder tudo e acabar na prisão.


O fim do Megaupload é o fim de uma era, assim como o fim de inúmeros outros serviços de compartilhamento. A certeza que tínhamos até agora é que sempre que um sistema era fechado, novos nasciam. Será que se essas leis forem aprovadas esse ciclo vai se manter? Seremos novamente vítimas de empresas cobrando altas taxas por cultura? A cultura será ainda mais elitista? Essas perguntas estão no ar a muito tempo, quando será que vão chegar as respostas?

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

LibreOffice 3.5: Seu escritório livre

Essa é para você, que insiste em piratear editores de texto e criadores de apresentação. Ao invés de passar seu tempo procurando cracks, seriais e patchs, porque não dá uma chance para o LibreOffice?

A quase 10 anos no mercado (primeiro com o nome de OpenOffice) ele traz todas as ferramentas e funcionalidades que você usará no seu dia-a-dia. Possui programas para texto, planilha eletrônica, apresentação, editoração eletrônica e banco de dados. Suporta a grande maioria dos formatos de arquivos dos programas comerciais que estão no mercado, incluindo .docx.

O mais importante dessa discussão, ele é opensource e grátis. Você pode baixar o programa no site, instalar em quantos computadores quiser, e saber que não só está de acordo com a lei, mas está usando um formato de arquivo livre, com código divulgado e que pode ser implementado por grupos não ligados ao LibreOffice na hora que quiserem.

O que isso significa? Bem, isso significa que se os mantenedores do LibreOffice ficarem ricos e abandonarem o barco outras pessoas poderão do zero implementar ferramentas que leiam e editem seus arquivos. Você já tinha pensado nisso? 

Algo estranho aconteceu com a adoção do .docx, onde o formato .doc foi atualizado e os antigos programas não liam o novo formato. Resumo, você tinha que comprar novas licenças ou pedir para que fosse enviado o documento no formato antigo. Se seu sistema operacional não suportasse a nova suite, toca comprar a licença de um novo sistema operacional, se seu hardware não suportasse o novo sistema operacional, toca comprar outro computador. Muito dinheiro, certo? 

LibreOffice é 100% compatível em todas as versões, pois usa um padrão chamado ODF (Open document format) que é um padrão construído e divulgado especialmente para manter os arquivos em um formato aberto e conhecido. Todo mundo sabe o que acontece dentro dele, qualquer um pode saber o que tem dentro dele.

O link para a nova versão está aqui. Totalmente em português (brasileiro). Baixem e aproveitem!


Tipos de ex-namoradas


domingo, 5 de fevereiro de 2012

Ozzy muito além dos Osbournes

Ontem assisti God Bless Ozzy Osbourne, documentário produzido por Jack Osbourne e sua mãe Sharon. Nele, é mostrada a distância que existe entre o ídolo vocalista do Black Sabbath e o fanfarrão de The Osbournes. De um delinquente juvenil ao príncipe da "fuck" das trevas em pouco mais de 60 anos, uma hora e meia de filme e uma cabeça de morcego. 

O documentário traça a caminhada de Ozzy até os dias de hoje, sua infância de miséria, suas inseguranças, sendo elas as bases para a sua entrega total ao mundo das drogas. Mostra o quanto a morte de seu pai e do guitarrista Randy Rhoads o  influenciaram negativamente, e como ele não aprendeu a lidar com sua vida e suas perdas. Seria esse um triste cenário, se ele não estivesse vivo até hoje, e não tivesse alegria em entrar no palco para cantar No more tears.

Jack deixa claro, junto com os irmãos e meios-irmãos, o quanto Ozzy foi um péssimo pai, sempre ausente e bêbado. Tudo isso para viver o clichê sexo, drogas e rock and roll.

Vale a pena assistir, principalmente para ver o que aconteceu com Ozzy desde o final da série The Osborunes, cenas raras e depoimentos sobre um dos maiores ídolos do rock.

 

Sonhei com você