quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

A batalha do apocalipse: Uma versão brazuca sobre o fim do mundo.

Os leitores brasileiros são divididos basicamente em duas vertentes, aqueles academicistas que acreditam piamente que apenas os clássicos são dignos de serem passados para o papel, e aqueles que consomem livros de autoajuda e literatura edificante (como Zíbia Gasparetto). Ambos fazem com que o mercado se feche para os demais estilos literários, criando para os autores uma difícil barreira a ser vencida para publicação e divulgação de seus livros.

Nesse contexto um jovem autor, Eduardo Spohr, escrevia um livro baseado no apocalipse cristão. Trazendo para as suas linhas a descrição polida e extensa, hora romantista indianista e hora Tolkiana, também a história da humanidade e o sonho quase fantástico. A Batalha do Apocalipse é o conjunto dessas linhas unidas pela ideia da batalha entre anjos e demônios pelo poder.


Antes de falar sobre o livro preciso dar os créditos ao Eduardo e à turma do Jovem Nerd pela divulgação da obra e do seu sucesso. Com dificuldade de encontrar uma editora, seus amigos (Alottoni e Deivi, ambos do site Jovem Nerd) viram no livro uma grande oportunidade de investimento e decidiram lançá-lo como um produto da recém lançada Nerdstore. A certeza do investimento de sucesso veio com a venda relâmpago de poucas cópias do livro, conseguidas após a premiação em um concurso literário. A primeira edição comercial de A Batalha do Apocalipse lançada  pouco depois foi um sucesso, vendendo milhares de exemplares em pouquíssimo tempo.

O sucesso trouxe diversas outras edições do livro com o selo Nerdbooks da Nerdstore, todas rapidamente vendidas. Por fim,  Eduardo Spohr foi contratado pela editora Verus, selo da editora Record. Nascido do sonho do seu autor, e da ajuda de amigos que viram ali uma oportunidade, o livro se tornou um sucesso de vendas e trouxe a literatura nacional de aventura e fantasia para os mais vendidos do país. 

Atualmente Eduardo Spohr se dedica ao lançamento e divulgação do seu segundo livro, Os Filhos do Éden.


Falei até agora do mundo externo que circula o livro, vamos agora tratar do mais importante, o recheio. O autor cria um universo definido, tido como o Spohrverso, onde a história acontece. Esse universo é bem parecido com o nosso, na verdade, sua parte terrena é idêntica ao nosso entendimento do mundo terreno. Anexado a esse universo real temos outras dimensões, como o plano dos anjos, ou o plano dos espíritos, e claro, o plano dos demônios.

Esses universos são unidos por camadas, existe toda uma dinâmica para conhecer como esses universos estão unidos e como eles podem ser acessados. Cada entidade, pertencente a um universo, pode ou não acessar outros universos dependendo dos seus poderes e possibilidades. No livro isso é bem explicado, o que torna fácil entender as interações entre mundos e personagens. 

Ablon, por exemplo, que tinha poder para acessar o céu perdeu esse direito por ter se rebelado contra Miguel. Shamira, que é uma das maiores feiticeiras da Terra, pode acessar outros planos utilizando suas magias e conhecimentos de locais onde essas camadas tem uma ligação mais acessível.

O livro traz também a jornada do herói, onde o personagem principal percorre sua vida dedicado ao seu objetivo. No traço desse personagem temos os valores que o fazem um herói, como a coragem, a honra, a defesa dos desfavorecidos, etc. Essa é uma breve descrição de Ablon, o anjo renegado que foi aprisionado ao mundo material por seu amor pela criação divina, os homens. Ablon também é o personagem principal do livro, e é com ele que percorremos a história do livro.

Temos nesse herói cheio de sentimentos nobres o amor pela personagem Shamira, uma feiticeira de força e conhecimento, que usa sua sensualidade e amor para apaixonar Ablon, um anjo caído por uma mortal. Shamira por muitas vezes serve de liga entre Ablon e a história, dando novos rumos a momentos que nos parecem perdidos. Muitos dos eventos também são da procura de Ablon por Shamira pelos séculos, ou seja, um amor que rompe as barreiras da criação e do tempo.

Outro ponto importante para o herói é a sua busca por justiça, nesse caso Ablon procura durante toda a sua saga proteger a humanidade contra os caprichos dos arcanjos. Principalmente Miguel, que busca modos de destruir a humanidade. Nesse meio, são encontrados os grandes vilões da história, todos eles destinados a acabar com Ablon e destruir a humanidade.

Algo que gostei é a forma que temas históricos e lendas são inseridos nos acontecimentos do livro. Passagens históricas como a invasão da Babilônia, o incêndio e queda da Torre de Babel, o final do império Romano, são tratados de forma a serem apresentados historicamente ao leitor e neles inseridos elementos fantasiosos que completam e explicam a história do livro.

O livro também apresenta muitos elementos cristãos, o que não poderia ser diferente se tratando de um livro que tem anjos como personagens. A abordagem do cristianismo é feita de forma suave, levando o leitor a entender a ideologia cristã, para tratar do universo criado, tomando o cuidado de não impôr essa religião como verdadeira. Lembrando que isso muitas vezes pode parecer dúbio ao leitor mais crítico, pois é impossível falar de um tema cristão sem ter isso como verdade. Mas o autor toma cuidado para equilibrar essas ideias.

Deus é visto de uma forma respeitosa, e a história de Jesus tratada mais historicamente. Lembrando que em muitos momentos é dado ao autor o direito de mudar os caminhos da história como a gente a conhece para inserir os elementos da fantasia desse universo.

Não vou fazer aqui uma sinopse do livro, creio que a melhor análise será feita por você. Quando terminar o último capítulo terá sua opinião, e essa que será válida. Boa leitura.

Da esquerda para a direita: Alottoni (Jovem Nerd), Eduardo Spohr e Deive Pazos (o Azaghal)


Sites relacionados:
Site oficial
Dicas do autor de como ler o livro
Informações sobre o livro, personagens e universo



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