domingo, 26 de julho de 2009

LINUX, ter ou não ter?

Fui motivado a escrever esse post depois de ler esse artigo, que traz uma velha discussão. Certa vez um professor me perguntou qual era o melhor sistema operacional. Eu só ouvia os murmurinhos falando "LINUX". Naquela época estávamos numa onda de Windows X LINUX, e rapidamente dei uma resposta que me faria odiado por amantes de ambos os lados. A minha resposta foi lacônica, um simples "depende".

A turma explodiu. Na época eu estava analisando a viabilidade de utilização de LINUX para uma agência de publicidade que queria trocar seus MACs e PCs com Windows e MAC OS por PCs com LINUX. Para descontentamento geral, e maior rancor sobre a minha pessoa, decidi por uma agência heterogênia utilizando vários sistemas operacionais. A parte de criação continuou a utilizar MACs e PCs, principalmente por necessitarem do uso de softwares como o Photoshop e InDesign, ambos da Adobe. A parte administrativa, financeira e as outras não ligadas à criação migraram para sistemas LINUX.

E essa minha decisão partiu do tal "depende" que dei como resposta ao professor. Um sistema operacional não é algo tão facilmente comparado, e fazer tal comparação pode trazer maus resultados para usuários e desenvolvedores. O mesmo para alguns softwares específicos como os de tratamento de imagem e diagramação que têm versões livres e proprietárias.

Para defensores de software livre (que até mesmo segundo Linus Torvalds, esse espírito mais xiita não é tão saudável) qualquer programa pode ser substituído por versões livres. O que não é tão verdade quanto se imagina.

Um exemplo que dou é sobre diagramação. O Adobe InDesign é atualmente o programa mais completo para essa tarefa, porém existe uma versão livre muito boa: o Scribus. Mas em algumas tarefas "ser muito boa" não resolve o problema. Para nós desenvolvedores é muito fácil falar que daqui a um tempo aquela funcionalidade vai ser implementada igual ao software proprietário. Mas quando você tem um prazo curto e o fator financeiro envolvido fica difícil esperar o desenvolvimento dessa ou daquela funcionalidade. Uma pessoa que vai diagramar um texto não quer aprender a modificar o código daquele programa, ele apenas quer o resultado final.

Também descobri que o grande problema não é com relação à aprendizagem das novas ferramentas, e sim a falta de funcionalidades de algumas delas. A parte que foi modificada para os sistemas LINUX aprendeu muito rapidamente como utilizar o novo sistema operacional, assim como utilizar o OpenOffice, a navegar na internet e outras tarefas básicas. Nesse caso não houve nenhum problema quanto a falta dessa ou daquela opção presente no software proprietário. O sorriso dos donos surgiu quando o número de licenças de sistemas operacionais e pacotes office caíu em 75%, o que gerou uma economia absurda para eles. Por exemplo, a adoção do OpenProj gerou uma economia de cerca de 10 mil reais. Apesar do OpenProj não ser tão completo como o MS Project caiu como uma luva nas tarefas realizadas naquele ambiente.

Uma relação inversa aconteceu na parte de criação. Mesmo dominando as ferramentas livres, percebemos que para a agilidade das tarefas e para a automação das idéias as ferramentas livres não eram viáveis. O Scribus não suportava certos projetos, o LaTEX era absurdamente inviável para um ambiente de trabalho como o de uma agência (sinceramente só obrigaria pesquisadores e acadêmicos a usar o LaTEX). O GIMP era útil, mas pouco eficiente em tarefas mais complexas para tratamento e principalmente criação, especificamente quando era necessário unir criatividade e rapidez. Nesse caso, não foi o desconhecimento da ferramente que gerou a sua não adoção, mas o misto de falta de funcionalidade e recursos nos fez tomar a decisão de manter aquele departamento com as antigas práticas.

O grande problema com isso é que para usar as ferramentas proprietárias era também necessário manter os sistemas operacionais. Provavelmente se esses softwares fossem desenvolvidos para LINUX o sistema operacional estaria presente em 100% das máquinas daquele ambiente.

Nesse caso o corte de custos era muito importante, porém ele não poderia ser o único motivador. Afinal, cortar no lugar errado pode causar a morte. Nesse caso, um departamento de criação pouco eficiente poderia levar a prejuízos.

Ao entrarmos na discussão "qual o melhor?" na verdade deveríamos pensar "o que eu preciso?", e a partir daí analisar o que melhor se adapta para o problema. As pessoas levam essa briga para um mundo maniqueísta, onde o bem e o mal estão em eterna luta. Na verdade, vejo software livre e proprietário como organismos interdependentes. Um necessita do outro para se desenvolver, veja por exemplo o que as grandes empresas de software andam fazendo. A Sun foi comprada pela Oracle, sendo que diversos projetos open-source e livre da Sun serão mantidos. Com certeza as melhorias feitas pela comunidade MySQL vão se reverter em melhorias para o Oracle. A IBM tem uma grande comunidade de desenvolvedores e as boas idéias dessas pessoas refletem nos produtos IBM.

Bom, é isso.

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