Apesar de todo o trabalho, férias são férias. Para passar o tempo do meu almoço comecei a assistir Capitu, seriado da Rede Globo (PLIM! PLIM!) e sinceramente me impressionei com a qualidade do programa. E quando digo qualidade incluo tanto a parte visual quanto o texto que ali foram empregados, e que muitas vezes ao se enquadrarem num padrão Globo de qualidade se tornam verdadeiras porcarias audiovisuais.
O primeiro ponto forte é não querer contar a história como se fosse uma novela da Glória Perez, aliás, fica bem marcado essa intenção quando se coloca um personagem narrador conversando diretamente com quem vê a série. Seria muito triste ver Capitu vivida por Caroline Dieckman aos prantos. Bentinho, muito bem interpretado nos dá o ar casmurro que tanto imaginamos ao se folear Dom Casmurro. Também, o cenário não ambientado e sim transformado em um palco de teatro onde os locais são na verdade cortes visuais de um ambiente maior dá um tom diferente e chamativo ao seriado. Sobre o cenário ainda temos elementos modernos e estilizados em cena, envolvidos muitas vezes em cenas da década de 1900 em preto e branco. Voltando aos atores, todos os desconhecidos dão um show, a expressão corporal deles em cena deixam o espectador com os olhos fixos a cada movimento. Sendo que cada um deles me parece fazer parte da cena como as falas e o próprio cenário. Dos globais que reconheci em cena digo que foram bem escolhidos e também se destacaram.

Durante vários momentos trechos do texto de Machado de Assis são colocados na tela, muitas partes do diálogo são fiéis ao original, e a história pouco, ou nada, sai das ideias da obra. Assim, quem assiste pode ficar tranquilo que não levará sustos. Sentimento corrente quando se adapta uma obra para a televisão.
Não posso dizer que prefiro o livro, ao mesmo passo que não posso dizer que prefiro a série. Antes que as velhas carolas caiam das cadeiras com suas pernas para o alto digo que a sétima arte está tão próxima da literatura como um beijo apaixonado e tão distante quanto um suicida do apego pela vida. Compará-las em melhor ou pior torna-se uma exercício de estupidez, muito em moda nas academias. Assim, você leitor escolha o lado que quiser, mas lembre-se, essa é uma opinião mais do que verdadeira. Compre a minha opinião, e não a daqueles que traem. Sim, também sou casmurro nas ideias.

PS: Se você leu “ideia” e “tranquilo” sem o acento e a trema, não se espante. É o novo acordo ortográfico chegando na blogosfera.
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